América não efetua repasse de verba da CBF a atletas do futebol feminino


Um mês após o término do Campeonato Brasileiro Feminino Série A-2, comissão técnica e jogadoras do América ainda vivem queda de braço com o clube sobre o aporte financeiro enviado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que deveria ser destinado para o futebol feminino.


A CBF repassou R$ 50 mil ao clube potiguar. O socorro financeiro foi feito para amenizar as consequências da pandemia da Covid-19 para a modalidade. Entretanto, de acordo com atletas e membros da comissão técnica ouvidos pela reportagem, nada foi repassado para elas, que não recebem salário para jogar pelo clube no torneio, e contam apenas com ajuda de custo para os deslocamentos. Como no futebol amador, todas têm outros empregos para se sustentar.


Procurado pela reportagem, o presidente do América, Ricardo Valério, confirmou que o clube não repassou o valor na sua integralidade, mesmo tendo ciência de que o valor deve ser usado para o fim específico determinado pela CBF.

“Nós estamos cientes da destinação da verba e do tempo hábil da disponibilidade que tem que ter o clube para o futebol feminino, e o momento certo dentro do andamento do processo de retomada dos trabalhos dessa ou da próxima gestão”, disse o mandatário rubro.


Ricardo disse que já foi feito um repasse para ajudar a custear as despesas. O valor não foi informado.


“A gente já fez uma parte para pagamento de despesas, um valor bem expressivo. Nós estamos obviamente priorizando o pagamento das contas em dia. Esse aporte deu uma ajuda pra ser revertido, obviamente, pro futebol feminino, e também quando for voltar a temporada. Tudo dentro das previsibilidades do fluxo de caixa de que o América tem nesse momento”, completou.


A reportagem do NOVO apurou que o valor repassado para a equipe foi de R$ 4.500, apenas 9% do que o América recebeu da CBF. O valor foi utilizado para cobrir dívidas geradas durante a participação do time na competição nacional.

Segundo a CBF, os recursos devem ser utilizados exclusivamente para o cumprimento das obrigações do clube com jogadoras e despesas do futebol feminino, não podendo ter outra destinação. Se o América seguisse a orientação da CBF, não estaria aguardando a normalidade do fluxo de caixa do clube, como afirmou o presidente, para repassar os valores ao time.


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