Após “motociata”, Bolsonaro diz que vacina não tem comprovação e defende cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (12) que não há nada no mundo comprovado cientificamente que possa combater a covid-19. Voltou a dizer que relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) dá indícios de supernotificação dos óbitos da doença, e que o Brasil é onde menos morreu pessoas em proporção com a população, graças ao tratamento precoce.

A declaração foi feita depois do trajeto da “motociata” em São Paulo, que terminou no Parque Ibirapuera. Ele estava sem máscara e cumprimentou os apoiadores, que se aglomeraram para ver o presidente. Veja imagens


“Deixo claro um documento produzido pelo Tribunal de Contas da União, onde ele, apesar de não se conclusivo, é bastante objetivo que o critério usado para governadores buscarem recursos no governo [federal] era o número de mortes por covid. Houve sim, pelo o que tudo indica, segundo o relatório não conclusivo do TCU, a supernotificação de casos de covid“, afirmou.


O presidente divulgou o dados não comprovados do relatório na segunda-feira (7), para minimizar o impacto da pandemia. Disse que em torno de 50% dos óbitos de 2020 não foram pela doença. O TCU emitiu nota no mesmo dia dizendo que nenhum relatório do tribunal falava que o número de mortes era menor que o registrado.


O autor, o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, foi afastado de suas funções no TCU.


Emocionado, Bolsonaro disse que é um dos raros chefes de Estado do mundo que têm coragem de falar “o que sente” e o que precisa ser dito, independente das consequências.


Citou uma tabela da Transparência Brasil que, descontando a supernotificação de óbitos de covid, o Brasil teria queda no número mortes gerais.


“Retirando os quase 140 mil irmãos nossos que infelizmente perderam as suas vidas, mas que foi colocado a razão de óbito como covid, se tirar de lá, o crescimento de 2020 em relação a 2019 passa a ser negativo“, afirmou. “Assim sendo, é mais um indício robusto que houve, sim, supernotificação. Caso nós venhamos a comprovar isso, nós vamos ver que o Brasil passaria a ser um dos países que tem o menor índice de mortes por milhão de habitantes“, completou.


Bolsonaro disse que o “segredo disso” é o tratamento precoce. Afirmou que, quando pegou covid-19, em 2020, tomou hidroxicloroquina. Chamou seu ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta de “marqueteiro da Globo” e criticou os procedimentos defendido pelo médico.


“Pode ter certeza. Hidroxicloroquina e ivermectina, que não faz mal nenhum. Nunca fiquei sabendo que um militar das Forças Armadas que servem na Amazônia, onde é comum a malária, que tomou cloroquina por ventura faleceu por causa desse remédio. Assim como, nunca ouvi alguém me dizer que alguém morreu por ter tomado ivermectina. Estão aqui para salvar vidas“, afirmou o presidente.


Ele declarou ainda que são medicamentos “baratíssimos” e que por isso não defendem os remédios, só os caros. Em seguida, não reconheceu a eficácia das vacinas.


“O que tem no momento no mundo comprovado cientificamente para combater o vírus? Não tem nada comprovado cientificamente. Tudo o que está aí é emergencial, é experimental. Nós temos a obrigação de buscar salvar vidas“, disse.


Apesar da fala, voltou a dizer que pediu para o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) para estudar a possibilidade de desobrigar o uso de máscara no país para aqueles que já tomaram a vacina.

Bolsonaro disse ainda que o isolamento social praticado pelos governadores, em especial em São Paulo, não tem “fundamentação científica“. “Sempre falei do isolamento vertical. O meu governo não fechou o comércio. O meu governo não decretou lockdown. O meu governo não impôs toque de recolher. Quem fez isso fez errado“, afirmou.


Poder 360