Arthur Lira é eleito presidente da Câmara dos Deputados

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Arthur Lira (Progressistas) acaba de ser eleito presidente da Câmara. Ele recebeu 302 votos e levou a disputa no primeiro turno.


Lira era o candidato oficial de Jair Bolsonaro, de quem se aproximou, principalmente, no ano passado, em meio à pandemia da Covid-19. Sua candidatura se consolidou depois que Rodrigo Maia, seu principal adversário na Casa, viu o STF, no fim do ano passado, determinar a obviedade da inconstitucionalidade da recondução a cargos da Mesa Diretora do Congresso na mesma legislatura, barrando a possibilidade de uma nova reeleição do deputado do DEM. Maia levou quase 20 dias para escolher Baleia Rossi (MDB) como seu candidato — tempo suficiente para criar rachaduras em sua base de apoio.


Deputado federal desde 2011, Lira sempre sonhou em chegar ao topo da Câmara. Ele é líder da bancada do seu partido e considerado expoente do Centrão. Nos corredores do Congresso, colegas costumam compará-lo a Eduardo Cunha, de cuja tropa de choque fez parte anos atrás, votando, inclusive, contra a cassação do então presidente da Câmara em 2016.

A candidatura de Lira foi lançada oficialmente em 9 de dezembro do ano passado, tendo o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, como padrinho. Ele já vinha conversando individualmente com deputados havia vários meses. No fim das contas, conquistou o apoio formal de 11 partidos: Progressistas, PL, PSL, Pros, PSC, Republicanos, Avante, Patriota, PSD, PTB e Podemos.


Nascido em Maceió, o deputado tem 51 anos e é filho do ex-senador e atual prefeito de Barra de São Miguel (AL), Benedito de Lira. Ele formou-se em direito pela Universidade Federal de Alagoas.


A trajetória política do sucessor de Rodrigo Maia começou em 1993, quando foi eleito vereador de Maceió, cargo exercido até 2002. No ano seguinte, elegeu-se deputado estadual de Alagoas, sendo reeleito uma vez. Antes de filiar-se ao Progressistas, em 2009, Lira passou por PFL, PSDB, PTB e PMN. Lira, que acabou virando bolsonarista para garantir o apoio do Palácio do Planalto ao seu projeto pessoal de poder, foi base dos governos de Dilma Rousseff e de Michel Temer.

O novo presidente da Câmara tem uma carreira marcada por processos, sendo investigado por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção. O deputado é réu no STF no âmbito do “Quadrilhão do PP”: é acusado de pertencer a uma organização criminosa responsável por desvios de recursos da Petrobras, da Caixa e do Ministério das Cidades. Também responde no Supremo a um processo em que foi indiciado pela suspeita de receber propina de R$ 106 mil de Francisco Colombo, ex-presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Lira ainda é investigado por rachadinhas na época em que era deputado estadual em Alagoas. Não bastasse, foi acusado de agressão pela ex-mulher — nesse caso, acabou sendo absolvido, mas declarações recentes podem ter desdobramentos.


À frente da Câmara, o deputado de Alagoas deve, pelo menos no curto prazo, ignorar os pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro. Na campanha, ele disse que “a pandemia não pode ser usada para causar impeachment”. Sua vitória contra o grupo de Rodrigo Maia sacramenta o Centrão como base de um governo eleito prometendo justamente combater o Centrão. Para eleger Lira, aliás, Jair Bolsonaro bateu recorde na liberação de emendas, negociou cargos em órgãos federais e se comprometeu a fazer uma reforma ministerial para abrigar ainda mais a ala fisiológica do Parlamento.


Nas últimas semanas, Lira vinha repetindo que, se eleito, não teria “preconceito” com pauta alguma. Ele afirmou, por exemplo, que pautaria a PEC do Voto Impresso, assunto de interesse de Bolsonaro e seus apoiadores. Na pauta econômica, o deputado de Alagoas prometeu avançar com a reforma administrativa ainda no primeiro trimestre de 2021. Sobre a reforma tributária, Lira tende a priorizar a proposta de Paulo Guedes, com possibilidade de retorno da CPMF.


O Antagonista

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