'Confronto violento' entre China e Índia deixa 63 soldados mortos no Himalaia


Índia e China, as duas nações mais populosas do mundo — com os dois maiores exércitos e armas nucleares — estão em conflito há semanas no Himalaia.

Mas a crise escalou nesta terça-feira. O exército indiano diz que três de seus soldados, incluindo um coronel, foram mortos em combates corpo a corpo com tropas chinesas.

Na noite de terça-feira no horário local, a imprensa indiana informou que o exército tinha perdido 20 homens e "infligiu 43 baixas aos chineses".

A China ainda não confirmou o número de mortos e feridos.

Foram as primeiras mortes em mais de quatro décadas na disputa pela fronteira reivindicada pelos dois gigantes asiáticos.


Acúmulo de tensões

A área do confronto de terça-feira está exatamente na fronteira — chamada de Linha de Controle Real ou LAC (na sigla em inglês) — entre os dois países no vale de Galwan, em Ladakh.

Isso ocorre na disputada região da Caxemira, que é altamente militarizada e ponto de frequentes conflitos por causa de reivindicações territoriais concorrentes entre Índia, Paquistão e China.

No vale de Galwan, muitos incidentes entre patrulhas indianas e chinesas têm sido registrados. Desde abril, os dois lados acumulam tanques, artilharia e tropas nas proximidades do vale.

As forças terrestres são apoiadas por helicópteros de ataque e aviões de combate.

No início de maio, as tensões aumentaram depois que a imprensa indiana disse que as forças chinesas montaram tendas, cavaram trincheiras e transportaram equipamentos pesados ​​vários quilômetros para dentro do que era considerado pela Índia como seu território.

O movimento ocorreu depois que a Índia construiu uma estrada de várias centenas de quilômetros para ligar uma base aérea de alta altitude que reativou em 2008.

A Índia culpou a China pela situação. "Durante o processo em andamento no vale de Galwan, um confronto violento ocorreu ontem à noite com vítimas de ambos os lados", diz um comunicado do Exército indiano.

A China, por sua vez, pediu à Índia "para não tomar medidas unilaterais ou criar problemas", e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse que foi a Índia que cruzou a fronteira, "provocando e atacando o povo chinês, resultando em sério confronto físico entre as forças fronteiriças dos dois lados".


Qual é o pano de fundo dessa disputa?

Vários fatores levaram a esse confronto, mas objetivos estratégicos concorrentes estão na sua raiz.

A Índia e a China compartilham uma fronteira com mais de 3.440 km e reivindicações territoriais ao longo dela.

Desde a década de 1950, a China se recusa a reconhecer as fronteiras traçadas durante a era colonial britânica.

Em 1962, isso levou a uma guerra breve e brutal, que resultou em uma humilhante derrota militar para a Índia.


Propostas e contrapropostas

Desde essa guerra, Índia e China se acusam mutuamente de invasão.

A Índia diz que a China está ocupando 38 mil km² de seu território — que fica na área onde o atual confronto está ocorrendo.

A China reivindica todo o Estado de Arunachal Pradesh, que chama de Tibete do Sul.


Existem também várias outras regiões em que os dois países têm opiniões diferentes sobre a localização da fronteira.

A Linha de Controle Real é mal demarcada e fica em Ladakh, onde há muitos rios, lagos e calotas de neve — o que significa que a linha que separa os soldados pode mudar e eles geralmente se aproximam do confronto.

Várias rodadas de negociações nas últimas três décadas falharam em resolver as disputas de fronteira, mas mantiveram um certo grau de estabilidade na região.


BBC Brasil

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