Editorial: Rachadinha é sintoma de um mal maior


“Cadê o Queiroz?” “E o Queiroz?” Bom... parece que ele apareceu e está bem encrencado e tudo leva a crer que o Flávio Bolsonaro tem culpa no cartório sim.

Agora, falar sobre a prática da rachadinha, algo tão comum e corriqueiro nos parlamentos brasileiros (não, isso não quer dizer que o Queiroz “foi preso injustamente, pois tem gente que rouba mais”. Não precisamos fazer um ranking da corrupção, para prender os bandidos na ordem decrescente).


Volta e meia escutamos escândalos de rachadinhas, funcionários fantasmas e todo tipo de tramoia em gabinetes pelo país todo. Agora veio à tona novamente o caso Queiroz, mas não vai tardar para aparecerem outros. Se o MP fizesse uma devassa na assembléia legislativa aqui do Rio Grande do Norte então... seria outro Deus nos acuda.


O que muitos deixam passar é que essas situações são apenas sintomas de um mal maior, na verdade, dois, que estão associados: o clientelismo e o inchaço estatal. Clientelismo é aquela velha troca de favores. Você me apoia que eu te arranjo uma vaga no meu gabinete. Ou, você arruma uma vaga no seu gabinete para o meu parente e eu emprego o seu. Esse tipo de coisa é absurdamente comum. Mais do que a maioria imagina. Infelizmente, não é tão fácil de provar, porque as nomeações não são transparentes nas câmaras e assembleias Brasil afora, mas quem é dos bastidores sabe.


O inchaço estatal no Brasil também já é bastante alardeado, mas virou um tipo de cultura, até quem critica, um dia já sonhou em estar lá. Cargos pra todo lado, verbas de gabinete, de selo (!!!), auxílio paletó, auxílio moradia... e uma infinidade de outros penduricalhos que não agregam em nada no cumprimento dos mandatos parlamentares, mas que pesam no bolso dos pagadores de impostos. Um mecanismo alimenta o outro, e graças aos excessos deste segundo, há vasto espaço para a troca de favores em retorno a votos e apoios.


Mas então o que fazer? Se os próprios vereadores e deputados elaboram as leis que permitem esses absurdos, como mudar o cenário? Bem, não existe milagre nem solução mágica, mas diria que a solução virá da combinação entre uma mudança cultural por parte da população aliada à implementação de novas práticas de governança e transparência pelos partidos políticos. Mudança cultural no sentido de valorização dos candidatos e parlamentares que se comprometem a cortar assessores, a economizar recursos de verbas e auxílios, seja apoiando-os ou divulgando essas boas práticas.


Além disso, deve ser estimulado o uso de processo seletivo na contratação de assessores e cobrança de que os mesmos estejam aptos para a função que será desempenhada. Sabe o secretário de saúde que é formado em engenharia? Pois é...

Não é algo fácil e que será alterado da noite para o dia, mas é possível! Faça a sua parte e cobre dos seus representantes eleitos e futuros candidatos!

PUBLICIDADE