Em livro, Ciro Gomes defende projeto nacional de longo prazo


Desenvolver um plano com metodologia, objetivos, tarefas e metas claras para fazer com que o Brasil possa atingir, em 30 anos, níveis sociais e de desenvolvimento semelhante ao de países como a Espanha tem hoje. Essa é a proposta do ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT). O desafio, que não é inatingível, segundo ele, é o ponto central do livro 'Projeto Nacional: o dever da esperança', que está sendo lançado neste mês.

Diante de uma década (2010/2020) com seguidas crises, é um desafio para o Brasil retomar o crescimento, principalmente agora, após a pandemia de Covid-19, que afetou a economia mundial. Na visão de Ciro, o País deve concentrar esforços em um plano de desenvolvimento que contemple equilíbrio das contas públicas, nova ordem fiscal e tributária e um aumento do investimento público como propulsor do desenvolvimento, chamando a iniciativa privada, mas coordenando o processo.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o ex-ministro defendeu que o projeto nacional precisa pensar na Nação e não na personalidade de quem o apresenta. Ele falou da conjuntura atual, das condições que o Brasil enfrentou para chegar até aqui e também dos desafios para sair da crise. Ciro faz críticas ao Governo Federal, ao PT, que já foi seu aliado, e comenta também a sucessão em Fortaleza.

No livro, o ex-governador traça um panorama da evolução da economia brasileira, de episódios de superinflação e dos impactos dessas mudanças em todos os planos da vida dos brasileiros.

Ele demonstra que, apesar de problemas políticos, como na ditadura, o País cresceu economicamente mais de 120% entre as décadas de 1950 e 1980 e examina embates ideológicos, trazendo discussões atuais sobre as divisões dos campos de esquerda e de direita do espectro político.

"Quero dizer de onde vem o dinheiro, qual a meta, qual é o prazo, como é que nós transformaríamos o País tipo na Espanha, sob ponto de vista de indicadores sociais e desenvolvimento humano em 30 anos. Isso é perfeitamente praticável e mostro isso no livro", explica. O livro já está disponível para pré-venda na Amazon.


Conjuntura

Em relação às turbulências nacionais que o País enfrenta, o ex-ministro criticou ataques contra instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional, realizados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

Para ele, as discussões sobre saídas para a crise e o futuro do Brasil devem ser amparadas na defesa da democracia. O problema maior, na visão do ex-governador do Ceará, é que falta ao Governo Federal um plano para lidar com a crise na Saúde e o drama econômico. "Nós, democratas, não vamos aceitar a ruptura da democracia", diz.

Questionado sobre possível "unificação" das forças de oposição, que possa unir segmentos à esquerda e à direita, ele diz estar disposto a se juntar a outras legendas, mas sem permitir que debates sejam censurados numa tentativa de "esquecer erros passados", citando como exemplo os do PT.

"Há duas coisas que são vitais para o povo brasileiro: entender as causas históricas que levaram o Brasil a esse aparente fundo do poço e fazer uma discussão do futuro. Se para defender a democracia tem que unir todo mundo, estamos juntos. Agora, censurar debates sobre as causas e saídas pro futuro: estou fora. Temos que mostrar a cara e deixar o povo brasileiro arbitrar", defende.


Crescimento de Camilo

Em meio a diversas crises que o Ceará enfrenta, Ciro Gomes considera como positiva a atuação do governador Camilo Santana (PT), principalmente na Segurança e na Saúde. "Meu respeito e admiração crescem todo dia pelo extraordinário homem público que o Camilo está se revelando, para além do grande governador. O Camilo é um cara que está amadurecendo para ser um dos grandes talentos do futuro (ou de hoje) do Brasil, não só do Ceará", afirma.


Eleição 2020

No pleito deste ano, o seu partido, o PDT, deverá tentar eleger um de seus membros a continuar no comando da Capital. Ciro Gomes, um dos líderes do grupo político, prefere não falar de nomes, por enquanto. Segundo ele, as definições, no momento certo, serão apresentadas com aval do prefeito Roberto Cláudio e do governador Camilo, para tentar dar continuidade aos projetos iniciados na atual gestão. "Vamos perguntar o que está bom, o que precisa mudar, porque se tem alguém com moral para dizer isso é Roberto Cláudio e Camilo", acrescenta.


DN

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