Israel está vacinando tão rápido que está ficando sem vacina

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Israel, que vacinou uma proporção maior de sua população contra o coronavírus do que qualquer outro país, está realizando o processo de maneira tão rápida que está esvaziando seu estoque de vacina. Diante disso, autoridades de saúde lutam para comprar mais doses e podem pausar a aplicação da primeira rodada de injeções nos mais jovens para aplicar a segunda e última dose nos idosos.


A situação é oposta à de muitos países, como os Estados Unidos, onde milhões de vacinas permanecem sem uso enquanto os programas de inoculação em massa lutam para ganhar impulso. A taxa de vacinação dos EUA é de cerca de 1%. Israel, com uma população muito menor e sistema de saúde socializado, atingiu 12% de seus residentes com a dose inicial.


O sucesso da vacina em Israel é possível devido ao seu tamanho pequeno e à eficiência de seu sistema de saúde nacionalizado, no qual todos os 9 milhões de cidadãos possuem carteiras de identidade e registram seus arquivos médicos eletrônicos em bancos de dados nacionais.


O país também mantém um registro nacional de vacinação, inicialmente projetado para imunizações infantis, que será usado nas próximas semanas para monitorar o progresso imediato e de longo prazo do programa contra o coronavírus.


Desde o lançamento da campanha em 20 de dezembro, Israel ultrapassou a meta de 150 mil vacinações por dia. No dia de ano-novo, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o ministro da Saúde Yuli Edelstein comemoraram a milionésima pessoa a ser vacinada em Umm al-Fahm, uma cidade árabe no norte de Israel que, junto com outras comunidades árabes, está entre as mais atingidas pelo vírus.


“Estamos liderando em grande estilo e seremos os primeiros a escapar do corona!”, escreveu Netanyahu no sábado em um tuíte. O programa de vacinas, que foi lançado com Netanyahu recebendo a primeira injeção na televisão, se envolveu com política, já que está se desenrolando enquanto Israel se prepara para sua eleição geral em março. Netanyahu está contando com a vacina para aumentar sua popularidade, que despencou durante a pandemia.


Além de tuitar sobre seu progresso, o primeiro-ministro repetidamente elogiou seus contatos pessoais com os chefes da Pfizer e da Moderna. Até o momento, a participação no programa não se polarizou pelos cismas políticos do país. Em vez disso, validou a popularidade nacional do sistema de saúde de 70 anos de Israel. “A campanha de vacinação tem sido um sucesso independente da política”, disse Nir-Paz, professor associado de doenças infecciosas do Hospital Hadassah em Jerusalém. “Temos sorte, com 1 milhão de vacinados, de estar do outro lado disso.”


Sucesso com consequências

Mas o sucesso trouxe complicações que ameaçam desacelerar a iniciativa do governo de vacinar a maioria da população até março. Em competição com os ministérios da saúde de todo o mundo, Israel negocia para adquirir mais vacinas e acelerar a entrega dos pedidos existentes. Pelo menos um carregamento de um milhão de doses da vacina Moderna chegará a Israel no início de janeiro, ao invés de março, como planejado originalmente.


E milhares de vacinações já marcadas terão de ser adiadas, disseram autoridades. O diretor-geral do Ministério da Saúde, Chezy Levy, afirmou no fim de semana que, embora o país continue a caminho de vacinar cerca de 2 milhões de pessoas até o final de janeiro, ele espera uma pausa de duas semanas nas vacinações de primeira dose para reservar suprimentos para as doses de acompanhamento para a população idosa.



Estadão

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